quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


O Professor - Cap 10 ao 12

0


Cap - 10

"Como você sabe Marie? Consegue adivinhar o desempenho dos homens pelo olhar agora?"

"Não meu amor, mas conheço o desempenho deste pelo que eu ouvi daqui de fora. Grave o que eu digo, este escritório, nunca mais será o mesmo".
Lua estava recostada em sua cadeira quando Pedro entrou em sua sala. Ela até tentou manter a expressão séria e compenetrada de uma verdadeira profissional, porém não conseguia desmanchar o sorriso do rosto.



Pedro parou de frente para sua mesa com uma expressão de raiva.

"Quer falar comigo Pedro?"

"Sim" - ele disse com rudeza - "O que o Aguiar estava fazendo aqui?"

Lua arqueou uma sobrancelha.

"Como é?"

"O Arthur Aguiar. O que ele estava fazendo aqui ou melhor o que vocês estavam fazendo de tão importante que você não poderia me atender?"


"Você quer mesmo que eu responda esta pergunta Pedro?"

A resposta dela assustou a ambos, ela mesma não tinha noção de que poderia ser tão altiva ao tratar de um assunto tão intimo, mas Lua conseguiu manter a expressão passiva.

"Eu não acredito Lua! Você está transando com o Arthur?"

A pergunta soou com um tom de incredulidade tão grande que Lua riu.

"Não Pedro, claro que não - por um momento viu alivio nos olhos dele - Ele veio até aqui para brincarmos de casinha".

O homem arregalou os olhos.
"Isso é absolutamente inadmissível. Onde você acha que está num bordel?"

Lua levantou num pulo, com os olhos faiscando de raiva.


Modere seu tom quando falar comigo Pedro Cassiano, até onde eu sei, você ainda não passa de um advogadozinho que trabalha no subsolo".

"Ah, agora é Pedro Cassiano? Sei que você é superior a mim na inteligência Lua Blanco, mas parece que seu bom senso não está tão aguçado".

"Não venha querer me dar lições de moral senhor Eu namoro uma atriz pornô. Você não tem nada haver com minha vida".

"Claro, tinha que ser por isso. Você ainda não conseguiu superar certo? Mas não precisa afundar sua vida deste jeito Lua..."

"Afundar minha vida? Afundar minha vida? Você não tem idéia do que está dizendo seu filhinho de papai egocêntrico. Acha mesmo que tudo gira em torno de você não é? Mas eu tenho uma surpresa, você e sua coelhinha da playboy não tem nada haver com isso".

"Quer que eu me convença disso de que maneira? Se você começou a agir como louca depois que terminamos, se jogando na cama do primeiro que aparece e agindo sem escrúpulos. Onde está seu pudores?"


"Meus pudores ficaram na sua cama Pedro, eu os deixei lá. - ela gritou - E se eu estou agindo como louca, não é por que terminamos, não tem nada haver com isso".

"Como não Lua? Quando namorávamos você não era assim. Você não fazia isso".

"Sinto muito Pedro, não posso fazer nada se você não conseguia despertar estas coisas em mim".

Aquilo parece-lhe um tapa no rosto.

"Você disse que precisava de uma mulher mais experiente, mais liberal. Vou confessar que no dia em que terminamos eu encarei aquilo como uma ofensa. Mas hoje eu sei que você tinha razão. Você realmente precisava de uma mulher experiente por que você não sabe conduzir uma transa. Não sabe como libertar uma mulher".
"Você ainda está recalcada por eu ter lhe dado um pé na bunda - ele disse com odio - Agora acha que se esfregar com este playboy e agir como uma vagabunda vai derrubar meu ego".

Em qualquer outro momento ela teria até chorado com a força daquelas palavras, mas desta vez ela riu. Riu alto.

" O playboy adora meu lado vagabunda Pedro e foi me esfregando com ele que eu finalmente soube o que é um orgasmo. Eu agradeço todos os dias por você ter me dado um pé na bunda, agora faça um favor a si mesmo e pare de se rebaixar. Vai atrás da sua coelhinha pra ver se ela te ensina alguns truques novos. E outra coisa, acho bom você parar de se intrometer na minha vida, creio que já deve ter percebido que o playboy tem força suficiente para quebrar sua cara. Agora cai fora."
Ela viu a face de Pedro ficar rubra.

"Acha que ganha o que tentando me atingir desta forma? Acha que vai ganhar atenção?"

"Não quero sua atenção Pedro, na verdade, a única coisa que quero de você é distancia, então por favor, volta pro seu buraco no subsolo e me deixa trabalhar em paz".

"Trabalhar? Se você chama o que aconteceu aqui na sua sala de trabalho então você mudou de profissão".

"Talvez eu mude de profissão quando estou com o Arthur".

Ela disse com veneno.

"Será que você não vê que ele está usando você pra se exibir?"

"Arthur não é como você Pedro, ele não precisa se provar, ele não precisa provar nada pra ninguém. Agora chega desta conversa, saia da minha sala ou vou chamar a segurança."

Ela levou a mão ao telefone, ameaçando-o.

Ele estreitou os olhos para ela.

"Estou muito decepcionado com você Lua".

"Vai à merda Pedro"

Ele arregalou os olhos, nunca vira Lua falar um palavrão antes.

"Este playboy te modificou mesmo não foi?"

Ela abriu um sorriso

"Totalmente".

Derrotado, ele limitou-se a baixar a cabeça e deixar a sala.

Lua saiu da sala minutos depois de Pedro, precisava respirar. Estava extasiada pelos sentimentos contrários que experimentara. Desde o Êxtase perigoso e proibido nos braços de Arthur, até a raiva de Pedro.

Recostou-se na mesa de sua secretária e Marie a Olhou com um olhar malicioso.

"O nível de seus clientes anda subindo senhorita Blanco".

Lua sorriu.

"Se todos os meus clientes fossem como Arthur Aguiar eu estaria perdida".

"Se todos os seus clientes fossem como Arthur Aguiar, eu trabalharia de graça".

Ambas gargalharam com gosto.

"De onde saiu aquele Apolo?"

"Dos meus sonhos".

Disse Lua com um ar perdido.

"Está de quatro por ele não está?

"De quatro, de lado, de frente. Como você imaginar".

Ela disse sem conseguir segurar a língua e Marie arregalou os olhos.

"Nossa senhora. Lua se revelando".

"Você não tem noção do que aquele homem é capaz".
"Tenho uma vaga noção Lua, de que aquele homem é sensacional".

Lua arqueou a sobrancelha divertida.

"É mesmo? Você descobriu por si mesma ou alguém te contou".

Marie Gargalhou, havia uma pontinha de ciúmes nas palavras dela.

"Quem me dera ter a sorte de descobrir por mim mesma, mas não querida. Foi a porta do seu escritório que me contou."

Lua ficou rubra.

"Marie! Você ficou ouvindo atrás da porta?"

"Oh não, não foi necessário, era alto o suficiente pra eu ouvir daqui".

Lua ficou mais vermelha.

"Oh por favor, me diga que ninguém mais ouviu"

Ela implorava com o olhar.

"Não, mais ninguém ouviu - viu sua chefe se aliviar - Porém recomendo que dê um jeito neste chupão, ou não ter ouvido seus gemidos será um mero detalhe em alguns minutos".

Lua arregalou os olhos.

"Chupão? Onde?"

"Bem aqui"

Marie apontou a marca.

"Droga! - Lua olhou num pequeno espelho a mancha vermelha. - O que eu vou fazer?"

Marie sorriu,

"Deixa que eu cuido disso. – Lua arqueou a sobrancelha pra ela - O que? Eu sou perita nisso viu? Já tive que esconder muitos chupões pra papai não ver".

Ambas gargalharam enquanto a secretária pegava um estojo de maquiagem para reparar a mancha no pescoço da chefe.

Pedro estava furioso quando chegou ao andar de baixo. Puxava o ar com força para tentar controlar os impulsos.

Sim, ele tinha plena consciência de que deixara Lua, de que ele havia escolhido Pérola. Não havia sido uma decisão fácil, afinal, Lua era a mulher certa para casar. Uma mulher de família, estruturada, inteligente, bonita bem sucedida. Certo que para ele, acostumado a obscenidades, ela mais parecia uma boneca inflável na cama, apenas ansiosa em fazer o que ele queria, sem ousar, sem tomar atitudes.

O relacionamento deles sempre fora frio, mas a verdade é que ainda assim seus pais teriam aprovado mais um casamento com Lua Blanco que com Pérola Faria, mas ele precisava de emoções mais fortes as que Lua poderia lhe oferecer.

Cap - 11

Lembrou-se da apreensão que sentiu o dia inteiro antes de encontrar Lua para lhe dizer que havia terminado. Que queria o fim do noivado, mas aquela situação não poderia se sustentar mais, já tinha quatro meses que se encontrava com Pérola e desejava cada vez menos Lua. Eles quase não dormiam mais juntos e o mais incrível disso é que ela nem reclamava.
Esta lembrança o enfureceu mais ainda. Esteve com ela dois longos anos e tudo o que conseguira era sexo frio e gozo rápido, muitas vezes imaginando cenas eróticas que via nos filmes, ou recordando suas transas com Pérola. Nem sabia ao certo se Lua realmente atingia o clímax ou fingia chegar lá.

Conhecia a fama de Arthur de garanhão. Ele já saíra com as mulheres mais desejadas da região e todas elas caiam de amores por ele, como ele podia ter se interessado por Lua? Logo ela que era tão reprimida de prática naquele assunto.
A menos que não fosse mais.

E era isso que o enfurecia, o fato de saber que Lua provavelmente havia desabrochado como mulher e que isso ocorrera nos braços de outro homem. Não admitia que Arthur Aguiar tivesse lhe colocado para trás desta maneira. Como ele conseguiu fazê-la baixar aquele muro de pudores? Ele não entendia, muito menos aceitava; 

Ele até poderia estar com Pérola, mas de alguma forma Lua o pertencia e ele não se deixaria vencer desta maneira.
Encontrou Arthur ainda na entrada do prédio, ele conversava alegremente com Chay, irmão de Lua. Parecia já ter se enturmado à família.

Chay falava com um grande sorriso, e dava tapinhas amigáveis nas costas de Arthur, a inveja aflorou mais forte no coração de Pedro. Chay sempre o tratara com distância, mal conversavam enquanto ele foi noivo de Lua.


Neste momento Pedro sorriu com malicia e raiva, o que diria Chay se soubesse que Arthur estava prostituindo sua irmã? Por que era isso que ele estava fazendo, quando a convencia a transar na própria sala.

Ele julgava o relacionamento de Arthur e Lua da pior maneira possível, tomado por um sentimento de posse e egoísmo, e achava que todos pensariam da mesma forma.

Viu quando Chay se afastou e Arthur se encaminhou até seu carro.

"Ei Arthur!"

Ele chamou disposto a comprar briga com o moreno. Arthur virou-se tranquilamente.

" Fala Pedro". - ele disse com deboche.

"Preciso falar com você".

"Já está falando. O que você quer?"
"Creio que você saiba que eu quase me casei com Lua"

Arthur arqueou a sombrancelha.

"Sim...E?"

"E que eu quero saber o que está rolando entre vocês dois?"

Ele disse com ar superior

Arthur fez uma expressão inexplicável aproximou-se dele. Pedro recuou um pouco assustado, mesmo que fizesse um esforço absurdo para manter sua dignidade e não fugir correndo por mais que ele fosse maior do que Arthur.

"Bem, creio que estamos namorando".

"Esta é a sua concepção de namoro? Expor a mulher que você está desta maneira?"


"Expor Lua? Eu estou expondo Lua? Qual é o seu problema cara, você anda por ai agarrado com uma coelhinha da playboy, anda com um adesivo tamanho família no vidro traseiro do carro da sua namorada trepando com outro em um filme com se isso fosse algum troféu e vem me falar de expor a namorada?"

"Isso...Isso não tem nada haver...Lua é diferente..."

"Sim, eu sei que ela é diferente. Ela é linda, é inteligente, é maravilhosa, é sensual e é mulher, não vejo nada de errado nisso. Agora você...Seu problema é outro. Você não enxergou o que tinha antes de perder e agora está se mordendo por que ela conseguiu encontrar o que não tinha com você nos meus braços. Eu sinto muito cara vai ter que acostumar".
"Isso não tem nada haver. Fui eu quem terminou com ela e..."

"Sei que foi você, sei que você foi idiota o suficiente para fazer uma grande merda como esta, e vejo nos seus olhos o quanto está arrependido agora, mas isso não é problema meu cara".

"A qual é Arthur, corta essa cara, sei que você deve estar querendo algo além de só namorá-la, conheço a sua fama, Lua é toda certinha, ela nem faz o teu tipo."

"Não faz meu tipo? - Arthur soltou uma sonora gargalhada - Mas você é mais burro do que eu pensei. Tem certeza que se formou em Harvard, por que eu acho que o seu diploma é forjado. Lua faz todo o meu tipo, ela é a mulher mais quente e sensual com quem eu já tive o prazer de dividir a cama meu amigo. Você é um grande tolo, destes que tem petróleo no quintal de continua vivendo em casa de papelão. Não se deu conta da grande mulher que tinha e a perdeu. – Arthur riu de novo - Está na sua cara Pedro, você está arrependido até os ossos, como pôde ter sido imbecil o suficiente em trocar Lua por Pérola? E agora tem de lamentar não é mesmo? Deve ser horrível acabar uma transa e ter que virar de lado por que a sua parceira não consegue articular duas frases com sentido. Sou um grande felizardo, não tenho este problema com Lua. O sexo é perfeito e o depois ainda mais".

Arthur aproximou-se mais de Pedro e o homem se encolheu ainda mais, mesmo sendo maior que ele.

"Olhe aqui Pedro - ele disse isso e pousou rudemente a mão no ombro esquerdo do homem - O fato é que Lua é minha agora e vai ser muito melhor para você se ficasse longe dela. Pelo menos se preza sua imagem diante dos jurados, não creio que será uma imagem muito agradável esse seu rosto de moleque bundão quando eu amassar o seu nariz."


"Po-posso lhe processar por ameaça Aguiar".

Arthur gargalhou.

"É claro que pode. Mas pode ganhar? Seria interessante ver minha namorada Arrasando com você nos tribunais. Até mais Pedro".


Arthur o soltou com brusquidão e deu-lhe as costas, sumindo estacionamento adentro.
Lua percebeu com rapidez que as palavras de Pedro a atingiram tão pouco que ela esqueceu em segundos. Arthur povoava todos os seus pensamentos, cada recanto da sua mente. Lembrou-se do ex-noivo apenas quando o viu de relance ao sair do escritório.

Mas logo os pensamentos ruins da briga foram substituídos pela maravilhosa sensação de ansiedade. Arthur lhe prepararia uma surpresa e ela mal podia esperar para saber o que experimentaria desta vez.

Chegou em casa um tanto atrasada, Arthur viria buscar-lhe em menos de uma hora. Em menos de uma hora ele a levaria ao paraíso. Tomou um banho demorado, brindando seu corpo com seus melhores óleos aromáticos. Queria estar perfeita para ele.
Vestiu um vestido preto, solto, costas nuas que mal chegava aos seus joelhos. Escolheu uma lingerie branca, semi transparente e altamente provocante, com cintas ligas para compensar a ausência do soutien. A cinta liga dispensava o uso de meias, era agarrada apenas a calcinha, dando-lhe um ar ainda mais provocante.

terminou de retocar o batom rubro segundos antes de ouvir sua campainha. Seu coração vibrou em resposta.

Um sorriso abriu-se em seu rosto e ela se apressou em atender a porta.
Seu sorriso morreu instantaneamente.

"Pedro"

Ela disse com um desanimo tão aparente que lhe gelou a espinha.

"Lua...eu... - ele começou, mas não terminou - Este é o vestido que Chay te deu no natal?"

A pergunta saiu tão esganiçada que não escondeu a surpresa dele.

Ela apenas assentiu

"Mas você disse que não gostava dele, que ele era...curto demais"

"Mas agora eu o acho perfeito". - ela disse com os olhos estreitos desafiando-o a discordar.

Pedro engoliu seco.

"É fica perfeito mesmo". - a voz era quase um sussurro.

Lua ficou parada quase dois minutos assistindo-o observá-la. Era delicioso ver a cobiça nos olhos dele. É obvio que ela não o desejava, aliás, a esta altura nem conseguia mais considerar a hipótese de transar com ele de novo, porém, era como uma doce vingança, vê-lo salivar por ela.

"Há algo que eu possa fazer por você Pedro?"

"Vai sair?"

Ele perguntou ainda hipnotizado.

"É evidente não?"

Ele fez uma careta estranha.

"Com o Arthur não é?"

Ela riu pelo nariz

"mais evidente ainda".

Ele deu um muxoxo

"Por que está tão arisca Lua? Você não é assim. É a pessoa mais doce que eu conheço".

"Não estou arisca Pedro, estou impaciente".

"Por que? Arthur não pode me ver aqui? Aposto como vocês brigariam se ele me visse aqui".

O sorriso vitorioso no rosto dele fez o sangue dela ferver.

"Arthur não é um homem inseguro Pedro, isto fica para moleques, ele certamente não estragaria um encontro comigo por causa de brigas idiotas, porém eu não garantiria que ele não brigasse com você afinal você está pedindo por isso não?"
"Por que acha que eu quero brigar com o playboy galinha?" - ele disse irônico.

"Por que você parece não ter nada melhor pra fazer em vez de me cercar. sua namorada sabe que você anda obsessivo Pedro?"

"Seu irmão sabe que você se veste como uma prostituta quando sai com ele?"

O próximo som não foi articulado por vozes e sim por gestos, um sonoro tapa no rosto de Pedro.

Lua pôs o dedo em riste no meio da cara de Pedro enquanto ele abanava o local atingido.

"Não volte a m e procurar Pedro, nunca mais. Você é doente".

"Só estou preocupado com você"

"Pois por mim pode enfiar sua preocupação...Onde melhor lhe couber. Me deixe em paz Pedro" - ela disse maneando a cabeça impaciente.

"Vou deixar Lua, vou deixar. Vai ser um prazer ver você acabada quando este Arthur achar diversão melhor e te der um pé na bunda. Isso não vai demorar muito e você sabe disso".

"Vai se ferrar Pedro".

Ela disse por fim antes de fechar a porta com um estrondo e se apoiar na parede trêmula se segurando para não chorar.

O ruim não era Pedro achar isso, o ruim era ela saber que era verdade, que tudo tinha um prazo para acabar.
Lua estava tão absorta em pensamentos que não ouviu a porta de sua casa abrir-se.

Se sobressaltou ao sentir a mão de Arthur em seu ombro.

"Lua..." - ele chamou preocupado

"O..Oi Arthur"

Arthur a segurou no queixo com carinho.

"O que houve? Esteve chorando? O que aconteceu?"

"Não foi nada Arthur...eu estou bem".

"Não, você não está. Quem te fez chorar?"

Ele estava vermelho e ela sabia que ele estava com raiva.

"Está tudo bem Arthur, acredite em mim".

Ele tomou o rosto dela entre as mãos.

Cap - 12

"Não acredito minha querida, me perdoe, não a estou chamando de mentirosa, mas sei que alguém te fez chorar. Eu conheço você. Quem foi Lu?"

"Ah Arthur, deixe isso de lado, não vamos estragar nossa noite com bobagens".

Ela tentou se afastar mas ele a deteve pelo braço.

"Ninguém vai estragar nossa noite. Mas você vai me disser o que houve."

"Arthur de que adiantaria eu te contar o que houve?"

"Namorar implica em dividir os problemas com o outro meu anjo - ela abriu a boca para retrucar, mas ele a interrompeu - Não adiantar reclamar, já lhe disse que você é minha, não importa o que diga, esta é sua posição na minha vida neste momento. Agora ande, me diga o que te aflige".

"Bem...Prometa-me que não vai arranjar nenhuma briga por isso".

No mesmo instante Arthur se viu mais vermelho do que já estava."Pedro Cassiano" - ele sibilou com raiva.

"Arthur..."

"O que aquele porco te fez?"

"Se você não se acalmar, eu não vou contar".

"Estou calmo. Diga-me o que ele te fez".

"Pedro está obsessivo com a idéia de que você está me usando e quis hoje cedo em alertar para isso. Como não dei ouvidos ao que ele me disse, ele veio até aqui para falar de novo. discutimos por isso e ele...bem ele me disse umas coisas que não gostei e eu...lhe dei um tapa."

Arthur arregalou os olhos.

"Você estapeou o Pedro? O que ele te disse pra você perder o controle deste jeito?"

"Ele...Ele me chamou de prostituta".

"Ele o que? ele fez que?"

"Arthur...Por favor."

"Ele teve a audácia de...Eu Vou matar aquele filhinho de papai desgraçado".

Lua encolheu-se diante do acesso de fúria dele.

"Não queria que brigasse por isso Arthur".

Ela disse ainda insegura. Ele viu a apreensão nos olhos dela e decidiu que poderia resolver este problema com Pedro depois.

"Lua...Tudo bem...Tá tudo bem, vem cá, me abraça - Ele estendeu os braços e ela os aceitou. - Não precisa se preocupar tá?

Ela assentiu.

"Vem, vamos aproveitar nossa noite.

Ele passou o braço em torno do pescoço dela e saíram.

Hoje ele iria desfrutar da noite que preparou para ela, amanhã iria ensinar Pedro a respeitar sua mulher.

Lua imaginou mil coisas, mil programas distintos os quais Arthur poderia fazer com ela. Cogitou coisas românticas tanto quanto as mais intensas, mas nada do que ela pensou, se encaixou na realidade do que ele preparara.

Ele manobrou o carro e parou na entrada de um prédio com letreiros luminosos.

"Não leia as placas, quero que seja uma surpresa quando você entrar lá".

Ela sorriu.

"Eu te disse que você está maravilhosa neste vestido?"

"Se disse eu não ouvi" - ela retrucou sedutora.

"Você está um espetáculo para os meus olhos. "

" E você é um sedutor barato"

Ele sorriu.

"Um sedutor barato que está louco para seduzir você. Vem comigo"

Ele a puxou para dentro.

Lua arregalou os olhos quando viu onde estava

De todos os lugares possíveis que ela imaginou aquele nem ao menos constara em sua lista.

Estavam num cassino.

Não era um enorme Cassino, mas uma casa de jogos de médio porte. Ainda assim era no mínimo peculiar.

"Arthur...O que estamos fazendo aqui?"

Ele sorriu

"Vamos jogar"

Disse simplesmente

"Mas não há ninguém aqui além de nós"

O Local estava completamente vazio.

"Essa era a idéia. Não creio que gostaria de compartilhar nosso jogo com mais alguém".

"Sempre penso estar preparada para as suas surpresas, mas a verdade é que nunca deixo de ficar aturdida com o que você prepara. - Ela disse sorindo - Quais os seus planos Sr Aguiar?"

"Vamos jogar minha querida, eu te disse."

"Sim, mas suponho que você não pretenda mesmo jogar cartas a noite inteira pretende?"

"Ah não, claro que não. Tenho um jogo mais excitante em mente. Vê esta máquina? - Ele apontou uma caça níqueis e ela assentiu - Pois bem, ela seja a juíza do nosso jogo".

Ele depositou várias fichas numa mesa perto dela.

"Veja, esta máquina é uma caça níqueis, para vencer você precisa de sorte. Até onde vai sua sorte Lua?"

Ela arqueou a sobrancelha.

"Vamos jogar, cada vez que alguém errar a combinação, tem que tirar uma peça de roupa."

Lua riu.

"Sabia que não havia nada de inocente neste jogo. O que acontece quando não houverem mais roupas?"

"Jogamos uma ultima vez, e aquele que perder deve realizar um desejo do seu parceiro. O que acha?"

Ela lambeu os lábios.

"Interessante. Excitante"

Ele lhe estendeu uma ficha.

"Comece".

Lua pegou e foi até a maquina. Rodou a manivela e errou a primeira combinação.

Arthur exprimiu um riso safado.

Ela o encarou maliciosa.

"Eu escolho o que tirar ou você me diz o que fazer?"

"Pra ficar mais interessante, vou deixar a seu critério".

Ela sorriu.

"Se você fosse escolher, o que me mandaria tirar?"

"Se eu fosse escolher, este jogo não duraria dois minutos, mandaria que você tirasse a calcinha".

Ela sorriu.

"É por isso que vou começar com as sandálias".

Arthur maneou a cabeça observando-a retirar as sandálias de salto devagar.

"Você é cruel Lua. Mas pode apostar o que quiser comigo, em algum tempo, você estará sem nada para mim."

"Confia tanto assim na sorte?"

"Digamos que é uma premonição".

Ela riu alto.

"Então prove sua teoria. Jogue".

Sem tirar os olhos dela, Arthur apostou a primeira ficha e errou.

"Parece que a sua sorte não está melhor que a minha".

"É, parece que não".

Ele tirou a camisa mostrando os músculos definidos.

"Você está em vantagem, eu uso menos roupas que você".

"Neste momento também não uso muita coisa, ainda assim creio que em breve eu farei um pedido".

"Não conte com isso. Quem fará o pedido sou eu. Agora jogue".

Lua apostou a segunda ficha e errou de novo.

Para enlouquecer Arthur ela se afastou um pouco olhando-o nos olhos.

"Vou realizar seu desejo".

Levou as mãos pra baixo no vestido e tirou a calcinha.

Ele estava vidrado. O vestido ainda lhe cobria o corpo, mas ele conseguia visualizar.

0 comentários:

Enviar um comentário