quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Barriga de Aluguel - Cap 11 ao 13

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Capítulo 11

Arthur desceu as escadas procurando pelas chaves do sótão, em algum lugar teria que ter alguma cópia. Nada. Pegou a caixa de ferramentas e subiu novamente.  
- Calma, Lu. Respira, eu vou te tirar daí. – ele dizia enquanto tentava pegar alguma ferramenta com as mãos trêmulas.  
- Rápido...Rápido Thu! – ele a escutava gritar e respirar ofegante. Pegou o martelo e quebrou a fechadura. Chutou a porta que se abriu em um estrondo.  

Lua estava encostada na cama com as mãos pressionando a barriga. Ele correu até ela com lágrimas nos olhos. Não conseguia acreditar... Ela estava ali aquele tempo todo.  
- Calma, eu vou te tirar daqui Lua.  
- N-não! Não dá mais tempo. – ela disse entre os soluços.  
- Vai sim. – a pegou nos braços e desceu com ela até o segundo andar.  
- NÃO THU, NÃO VAI DAR! – Arthur correu com ela até seu quarto e a colocou sobre a cama. Lua fazia esforço para respirar, lembrando-se de tudo que lera em alguns livros antes de tudo aquilo acontecer.  
- Lua, eu vou ligar para uma ambulância... Não sai daqui!  
- Eu pareço estar em estado de sair andando por aí?! – ela berrou. Ele sorriu e beijou o topo de sua cabeça. Pegou o telefone e discou o numero da ambulância. Os paramédicos iriam até lá o mais rápido possível.  
  
- THU! NÃO DÁ MAIS TEMPO!

Os gritos de Lua ecoavam pela casa. Arthur andava de um lado para o outro pensando no que fazer, Céus! Como faria um parto? Tudo o que sabia sobre isso era o que havia visto em alguns programas de partos no Discovery Home and Health com Carla.  
- Ok. Vou pegar alguns lençóis limpos e você... Você... Continua respirando! – Lua revirou os olhos e o viu correr até a área de serviço. Ela respirava rápido enquanto sentia o suor escorrer pela testa. Arthur subiu com os lençóis e os colocou sobre as pernas de Lua que já estavam na posição certa.  
- Eu não vou conseguir, Lua.  
- Vai sim. Eu confio em você. – Ele pegou o telefone mais uma vez e ligou para o hospital. Explicou o que estava acontecendo desesperado.  
  
-Acalme-se, senhor. Vou passar para uma enfermeira que lhe dará todas as instruções até que a equipe médica chegue até sua casa.  
Arthur esperou que a ligação fosse passada a outra pessoa. Uma voz feminina finalmente o atendeu do outro lado da linha.  
-Olá senhor, vou dar-lhe as instruções. Tente me acompanhar. Onde está sua esposa?– ele ignorou qualquer formalidade, sem importar-se com o que a enfermeira dissera.  
- Está deitada na cama.  
-OK. O senhor precisa colocar os dedos para ver se a cabeça do bebê já desceu.– Arthur ficou parado por um momento. Olhou mais uma vez para Lua sofrendo, não haveria outro jeito.  
- Lua, você vai me odiar mas eu preciso fazer isso. – ela arregalou os olhos enquanto o sentia retirar sua calcinha e gritou.  
- E-eu acho que já! – ele gaguejou ao telefone tentando ser forte o bastante para não desmaiar ali mesmo.  
Você precisa pedir para que ela faça força para baixo.– ele repetiu as palavras a Lua. –Diga para que ela apoie o queixo no peito para facilitar. Fique de olho enquanto o bebê desce. Enquanto ela faz força, preciso que pegue qualquer coisa parecida com um sugador.

Arthur lembrou-se das coisas que Carla havia comprado para o bebê, entre eles um sugador para puxar a sujeira do nariz, aquilo deveria servir. Correu até o quarto do bebê e o pegou.  
  
-Agora– a enfermeira continuou –fique de olho enquanto o bebê desce. Quando a cabeça estiver para fora, peça para que ela pare de fazer força e sugue a boca do bebê para que ele não se engasgue com o líquido. E então peça para que ela faça um esforço menor para que o corpo saia e a ajude.  
Arthur fazia tudo o que a enfermeira pedia e repassava para Lua. O celular foi parar no chão ao ver a cabeça no bebê saindo. Os pequenos fios de cabelo já apareciam.  
- Está vindo, Lu. Continue fazendo força! – ele dizia apoiado na cama, pronto para receber o bebê.  
  
- AH! EU NÃO CONSIGO! – Ela choramingava.  
  
- Consegue sim, meu anjo, continue, falta pouco agora! – ela continuou até que a cabeça finalmente havia saído. Arthur fez o que a enfermeira pedira, sugando a boquinha do bebê, até que saíra por completo. Arthur puxou o lençol e o envolveu ali enquanto o ouvia chorar. Lua respirou aliviada e deitou a cabeça no colchão sorrindo entre as lágrimas. Arthur pegou o celular novamente.  
- O cordão... – ele disse tentando manter a voz firme. Mas não foi preciso quando a equipe médica chegou até o quarto. Enquanto um dos paramédicos se encarregava de cortar o cordão umbilical, Arthur foi até Lua.  
- Você conseguiu, viu? É uma menina, uma menina linda! – Lua apenas chorava.  
  
- Eu quero vê-la. – ela sussurrou, cansada.

Capítulo 12

Lua sentira seu corpo todo dolorido ao abrir os olhos. Estava em um quarto de hospital, vestida em uma camisola. Olhou para os lados e viu Arthur dormindo em uma poltrona. Sentou-se com dificuldade e passou as mãos pelo rosto. Ouviu um som vindo do outro lado do quarto, um som que aqueceu seu coração e fez seus olhos marejarem. Seus olhos brilharam ao ver as pequenas mãozinhas balançando-se para cima, dentro do pequeno berço branco.  

Levantou-se em silencio apoiando-se nas coisas e chegou finalmente até o bercinho. Pele branquinha, bochechas rosadas, olhos já abertos e espertos... Em um tom de mel como os dela. A pequena era cabeluda, fios finos de um castanho claro. Estava vestida em um macacão rosa com alguns ursinhos brancos.  
  
- Olá minha linda, seja bem vinda. – ela disse pegando a mãozinha da menina, ela resmungou enquanto continuava a sacudir os bracinhos. Lua a pegou nos braços, firmemente, como se tivesse feito aquilo durante toda a sua vida. Voltou para a cama e a aninhou em seus braços. Logo a pequena procurava por seus seios, sentindo o cheiro do leite materno.  
- Ah, você está com fome... – Um pouco atrapalhada, Lua tirou um seio da camisola e colocou a pequena ali. – Ah, você estava com fome, e eu dormindo, desculpe.  
Arthur abriu os olhos lentamente e viu Lua amamentando a filha. Ela viu que ele a olhava e olhou de volta sorrindo.

Capítulo 13

Lua estava dormindo novamente, agora com o bebê nos braços. Arthur aproximou-se dela e pegou a menina para colocar de volta no berço. Quando a tirou dos braços de Lua, ela acordou com os olhos alertas, uma expressão assustada.  

- O que foi, Lu? – seu rosto relaxou ao ver Arthur.  
- Desculpe. Passei a noite toda achando que aquela maluca viria atrás de nós. – ela parou suspirando aliviada. – Ela ainda não deu nenhum sinal?  
- Não. A polícia está de olho na casa, caso ela apareça. – Arthur havia chamado a policia para que Lua pudesse prestar uma ocorrência contra Carla.  
- Eu tenho medo que ela venha atrás dela. – Arthur sentou-se na cama ainda segurando a pequena que dormia tranquila em seus braços.  
- Não vou deixar que ela se aproxime de nenhuma de vocês duas, não se preocupe.  
- Ela é linda. – Lua murmurou.  
  
- Não... É perfeita. Temos que dar um nome a ela. – ele disse, pensativo.  
  
- É, eu sei. Por que não escolhe? Afinal foi você que fez o parto. – ela disse sorrindo orgulhosa. Seus pensamentos foram interrompidos por uma mulher que entrara no quarto. Era um enfermeira diferente das que estavam atendendo Lua. Parecia ser bastante jovem, cabelos castanhos, pele pálida, olhos claros e no crachá em seu jaleco o nome Beatriz.  
- Olá. Não poderia deixar de vir olhar essa mocinha. – ela disse aproximando-se. De pronto, Arthur reconheceu aquela voz.  
- Você...Foi você que falou comigo pelo telefone, não foi?  
- Culpada. – ela disse levantando as mãos. Lua os olhava sem entender.  
- Lu, foi ela quem me instruiu a fazer o parto. – Lua sorriu e agradeceu a enfermeira. Ela olhou a menina, parabenizou Arthur e saiu do quarto.  
  
- Beatriz. – Arthur sussurrou ao vê-la sair. Lua sorriu aprovando o nome que ele escolhera.

Lua não conseguiu abrir os olhos. Estava tão cansada que apesar de estar acordada, suas pálpebras estavam pesadas demais para serem abertas. Mas algo a fez abrir os olhos. Alguém estava falando com Beatriz, mas aquela não era a voz de Arthur e nem de nenhuma das enfermeiras que ela conhecia.  
  
- Olá minha filha... – a voz dizia baixinho. Lua abriu os olhos fitando o teto sem coragem o suficiente para aceitar de quem era aquela voz. Seu coração disparou. Levantou a cabeça devagar e viu A silhueta de Carla de costas para ela, segurando sua filha nos braços em frente ao pequeno berço. Levantou-se devagar e sentiu seu peito arfar.  
- Carla. – ela murmurou. Carla levantou a cabeça e girou nos calcanhares para mirar Lua. Seus olhos estavam confusos, haviam olheiras embaixo de seus olhos azuis. Parecia tão cansada quanto Lua que acabara de dar a luz. Carla deu dois passos para em direção a porta.  
- Carla, ponha Beatriz no berço... Agora. – sua voz saiu firme, sem tremer nem um pouco. Ela não se moveu, olhando com ódio para Lua.  
  
- Não. – ela disse entre dentes. Lua deu mais dois passos em direção a ela, sentindo seus olhos marejarem.  
- Carla, você não está bem, coloque Beatriz no berço e conversaremos. – disse com calma.  
- NÃO FALE COMO SE FOSSE MÃE DELA! Ela é minha filha... ESTÁ OUVINDO?! – Seus gritos acordaram Beatriz que berrava em seu colo. – Calma meu amor, mamãe está aqui... – Seu olhar, seu sorriso forçado... Lua sabia que Carla estava totalmente desequilibrada.

A porta foi aberta rapidamente. Arthur apareceu com os olhos arregalados ao ver Carla e Lua se encarando, enquanto sua filha berrava.  
  
- Carla... Me dê a Beatriz. – ele ordenou. Dois seguranças e mais uma multidão de pessoas apareceram na porta enquanto a policia tentava afastá-los. Carla soltou uma mão do corpinho de Beatriz e puxou uma pistola de trás de si.  
- NÃO ARTHUR! ELA É MINHA! FIQUEM LONGE! – ela gritava enquanto apontava a faca na direção dele. Lua chorava, desesperada por sua filha.  
- Não, Carla! Largue isso, você vai machucá-la e não quer isso! – Lua disse.  
  
Enquanto Carla se distraia tentando acalmar Beatriz em seus braços, Arthur tentou ser rápido e jogou a arma no chão. Lua correu até eles e pegou Beatriz, enquanto Arthur tentava segurar Carla. A arma não estava longe o bastante, Carla a alcançou. O gatilho foi puxado de uma só vez atingindo Arthur.

- Vem meu anjo, está na hora de mamar. – Lua disse pegando a pequena Bia nos braços. Aninhou-a em seus braços e a colocou em um de seus seios, enquanto cantava uma canção de ninar. Beatriz brincava com as mãozinhas, passando-as no rosto de Lua, já estava com uma semana de vida, a cada dia mais linda e mais esperta.  
- Pronta para ir? – Blanca perguntou ao entrar no quarto.  
- Claro. Vou acabar de dar de mamar a ela e pegar a bolsa. – sorriram uma para outra e Lua voltou a cantarolar a canção e balançar-se na cadeira de balanço.  
  
Acabou de dar de mamar a Beatriz, pegou sua bolsa e encontrou-se com sua mãe e Sophia no andar de baixo de sua nova casa. Estavam morando em Guadalajara em uma linda casa de dois andares. Sophia dirigiu com Blanca ao seu lado e Lua atrás com a pequena.  
  
Atravessaram o longo corredor deslizando pelo linóleo branco, até chegarem a um quarto.  
- Ah! Já estava com saudades das mulheres da minha vida. – Arthur disse com um sorriso largo estampado no rosto. Lua aproximou-se dando-lhe um selinho demorado. Ele estava com uma tipoia no braço, o tiro acertara-lhe o ombro. Estava pronto para ir para casa.  
- Nós também sentimos sua falta. Mas já está pronto para ir para casa, finalmente.  
- É o que eu mais quero, meu anjo. Poder aproveitar vocês duas de verdade.  
  
Arthur se levantou colocando o braço bom ao redor da cintura de Lua e deixaram o quarto do hospital.

FIM






3 comentários:

Pri e Aniita disse...

gostei da web

Anónimo disse...

Amei essa web pena que tem poucos capitulos

vivihsta disse...

s2 gosteii

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